Esperança na Pandemia

Segundo dicionário a palavra esperança é: “… crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança … acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário.”

E o Catecismo da Igreja Católica diz: “A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade” (§1818).

Onde quero chegar. É preciso entender, que devemos saber esperar em tempos de pandemia com otimismo. Como foi em tempos de pestes e guerras. Povo unia-se em oração e ação. Não é apenas ficar dizendo aos outros: “tudo dará certo; se acalme; tenha paciência; logo passa”! A esperança é muito mais, vai além. É o que eu posso fazer, para que ela se torne prática. Gestos concretos hoje: cuidar mais da vida usando mascara, passando álcool-gel, cuidando o distanciamento.  

Ha um desafio que nos é proposto, como formar uma pessoa para este momento: criança, jovens, os de meia idade, que muitas vezes não estão cuidando da vida. Desligados! De outro lado, os mais afetados são os que têm uma experiência de vida. Os de mais idade. Trancados, limitados no agir, com risco imediato de perder a vida.    

Assim nossa atitude de cristão católico, é ter a capacidade de esperar e ensinar os outros a esperar. Uma espera perseverante. Mas não aquela espera de Pedro “é maravilhoso estarmos aqui! Vamos fazer três tendas: uma será sua, uma de Moisés e outra de Elias”. (Mc 9:5). Acomodar-se porque pra mim está bom. Não olha a vida dos outros. Não se preocupa como ficará a vida dos outros.

Esta esperança é um estado de ação, não de dormência, de espera com braços cruzados olhando para o céu…. ou não fazendo nada enquanto vem a minha hora de receber a vacina. É um convite para viver intensamente cada segundo. Neste processo se da o amadurecimento. Cuidando da sua e da vida no outro. Deve existir dentro de cada um uma espera madura, consciente e acima de tudo cristã.

Cuidar para não se desesperar, enquanto espera. Porque se isto acontecer, se faz coisa errada. Coloca sua vida em risco. Como alguns de nosso tempo: se aglomerando, indo em família ao mercado fazer compras. Como disse alguém “só um entrará, os outros esperam aqui fora! A resposta: ´sou casado com ela a três meses, não vou me separar agora’”; não fazer festas para amigos, familiares, conhecidos, vizinhos, parentes etc.

O ritmo desta vida moderna, está nos levando a um comportamento de ansiedade e rapidez. Tudo pra ontem. Resultado disto, são os pais apressados e filhos lentos-imaturos. Não se dá tempo para crescer-amadurecer: “há mas já nascem sabendo mexer no celular”! certo! Porque não nascem sabendo pedir perdão ou a benção para os mais velhos?

Saber esperar é próprio da vida cristã. Um esperar esperançoso. Que faz sempre estar a caminho, buscando entender os desígnios do Senhor. É confiar no Projeto que Ele tem pra cada um. A Carta Encíclica do Papa Bento XVI ‘Spe Salvi facti sumus’ orienta: “a nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim”. A vida é um eterno ensinar e aprender.

Quem tem esperança em tempos sombrios, vive o verdadeiro amor. E o amor redime o ser humano por completo.