A PASTORAL SOCIAL

Um dos objetivos desta publicação é desencadear um processo de formação nos regionais da CNBB, extensivo às dioceses e Grupos de Base. Uma renovada e permanente formação contribuirá para que as pessoas e as comunidades cristãs tenham a sensibilidade, a atitude e a coragem de Jesus em relação a todas as pessoas atingidas por doenças, miséria, preconceito, discriminação, exploração, dominação e violência. De fato, “a Igreja, com sua Pastoral Social, deve dar acolhida e acompanhar essas pessoas excluídas nas respectivas esferas” Doc. AP 402. A formação aprofundará temáticas ligadas ao compromisso social do cristão, à missão da Igreja, à relação entre fé e Política e à presença pública da Igreja.

As Pastorais Sociais fortalecidas por este processo de formação contribuirão para que a Igreja intensifique sua presença pública com vistas à transformação da sociedade. Elas testemunham o serviço da Caridade na sociedade através de ações sócio transformadoras, inspiradas pela caridade cristã, como lembra Bento XVI na Encíclica Deus caritas Est. Presentes no mundo, e muitas vezes em situação de fronteira Social, as Pastorais são parceiras das diversas organizações da sociedade, especialmente dos movimentos populares, na luta pela justiça e pelo bem comum. Precisam, por isto, formação metodológica e política para que essa ação em conjunto seja uma presença aberta ao diálogo, à construção coletiva e à prática da democracia participativa. Evangelizadores pela palavra vivem o desafio de serem fermento, sal e luz nas relações e nas estruturas da sociedade humana.

Introdução;

Capítulo I: Retomando a Caminhada;

Capítulo II: Identidade e Missão da Pastoral Social;

2.1 O que é a Pastoral Social:

Para a Igreja, o serviço da caridade “é expressão irrenunciável à sua própria essência”. A Pastoral Social é expressão desta caridade e da solicitude da Igreja com as situações nas quais a vida está ameaçada. Expressão que renova, a cada dia, a lição da Gauium Et Spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e das mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles e aquelas que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos e discípulas de Cristo”. Os diferentes serviços das Pastorais Sociais colocam-se na dinâmica do Seguimento de Jesus Cristo para que nele os marginalizados e excluídos tenham vida e a tenham num ambiente preservado.

2.2 A Identidade da Pastoral Social:

A identidade da Pastoral Social da Igreja no Brasil é resultado de uma caminhada de longos anos, durante os quais foi criando um “rosto” próprio, fruto das muitas ações que aqui e ali se articulavam para firmar o compromisso social das comunidades cristãs. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) foram o berço de onde surgiram muitas lideranças das Pastorais Sociais, dos movimentos sociais, dos sindicatos e dos partidos políticos democráticos.

Muitos leigos e leigas, religiosos e religiosas, presbíteros e bispos assumiram um posicionamento profético que colocou em prática as opções pastorais de Medelín e Puebla, impulsionando e apoiando a Pastoral social. Muitos pagaram com a própria vida essa busca de fidelidade a Jesus e ao povo. Todos lembramos de pessoas cujas vidas foram uma história de solidariedade e amor para com os humildes e empobrecidos. Em muitas paróquias, brotaram e consolidaram-se as CEBs e as Pastorais Sociais, nas quais a militância de muitos leigos e leigas encontrou, no serviço da caridade, a expressão madura de sua fé e a fidelidade a seu batismo. A teologia da libertação encontrou, neste contexto de vida cristã, terreno fértil para a sua reflexão sobre a Igreja dos pobres, ou como costuma dizer Dom Pedro Casaldáliga, “o jeito normal de a Igreja ser”.

2.3 Os Sujeitos da Pastoral Social:

Os sujeitos prioritários da Pastoral Social de hoje fazem parte de uma longa lista, certamente continuidade daquela que já existia no tempo de Jesus. Tanto lá quanto aqui, são os povos crucificados, forçados a carregar em seus ombros o peso do pecado de um sistema perverso e opressor. Puebla definiu muito bem; e Aparecida completou esta lista de rostos golpeados pela miséria, pela fome, pela exclusão: crianças, idosos, jovens, mulheres, desempregados, indígenas e afros descendentes. Todos eles hoje sofrem sua exclusão sob o peso da globalização. Esta realidade será transformada quando a humanidade voltar seu olhar para as vítimas que hoje a convocam à verdade, à solidariedade e à civilização da vida.

2. 4 As Pastorais Sociais na CNBB:

A Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz é constituída por nove organismos e dez Pastorais Sociais Específicas. Compõem também a Comissão, o Setor das Pastorais da Mobilidade Humana e a Comissão do Mutirão pela Superação da Miséria e da Fome.

Os Organismos são nove:

1)      IBRADES: Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social;

2)      CÁRITAS BRASILEIRA;

3)      CERIS: Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais;

4)      CBJP: Comissão Brasileira de Justiça e Paz;

5)      CPT: Comissão Pastoral da Terra;

6)      PC: Pastoral da Criança;

7)      PM: Pastoral do Menor;

8)      PS: Pastoral da Sobriedade;

9)      PI: Pastoral da Pessoa Idosa.

As Pastorais Sociais são dez:

1)      Pastoral Operária;

2)      Pastoral do Povo de Rua;

3)      Conselho Pastoral dos Pescadores;

4)      Pastoral dos Nômades;

5)      Pastoral da Mulher Marginalizada;

6)      Pastoral da AIDS;

7)      Pastoral da Saúde;

8)      Serviço Pastoral dos Migrantes;

9)      Pastoral Afro-brasileira;

10)  Pastoral Carcerária;

Setor Pastoral da Mobilidade Humana: Apostolado do Mar, Pastoral Rodoviária/Estrada, Pastoral dos Migrantes, Pastoral dos Refugiados, Pastoral dos Nômades, Pastoral dos Pescadores e Pastoral do Turismo.

Mutirão pela Superação da Miséria e da Fome: Um Secretariado para a Dinamização do Mutirão;

2.5 Lugares da Missão de Jesus – Lugares da missão da Pastoral Social;

2.6 Partir em missão… é preciso

“Vão e anunciem: o Reino de Deus está próximo”. Parte-se em missão por causa das exigências do Reino: prática da justiça, do amor e da misericórdia. Encarnando a sensibilidade de Jesus seremos levados a sentir as dores de seu povo. É na compaixão de Jesus, o Bom Pastor, que está a raiz da missão de discípulos e discípulas.

Dom Hélder Câmara dizia que “missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. É parar de dar voltas ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear pelos problemas do pequeno mundo a que pertencemos; a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então, missão é partir até os confins do mundo”.

 Capítulo III: Espiritualidade para uma Ação Transformadora;

3.1 Uma Espiritualidade transformadora;

3.2 As fontes da Espiritualidade Cristã:

-Convivência com os pobres;

-Palavra de Deus;

-Eucaristia.

3.3 Espiritualidade para uma nova ação pastoral:

-Espiritualidade articulada com a prática;

-Espiritualidade alimentada no cotidiano;

-Espiritualidade no conflito.

Capítulo IV: Metodologia: Um jeito de ser e agir:

4.1 Direito ao socorro;

4.2 Superar limitações, socorrer as pessoas;

4.3 Construir um novo Brasil;

4.4 Compromisso com as questões que envolvem toda a humanidade.

Capítulo V: Ação transformadora e Diálogo com a Sociedade:

5.1 Conhecer a Realidade:

-Presença crítica na sociedade;

-Presença profética na Igreja.

5.2 Um reconhecimento progressivo:

-Presença ativa na Igreja;

-Presença ativa na Sociedade.

5.3 Alguns fundamentos das Pastorais Sociais:

-A figura de Jesus;

-A devoção a Maria;

– A Tradição e os Padres da Igreja;

-O Ensino Social da Igreja

5.4 A Pastoral Social no Documento de Aparecida:

Em maio de 2007, na continuidade de Rio de Janeiro (1955), Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992), reuniu-se em Aparecida (SP) a Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho. Cerca de 160 bispos elaboraram e aprovaram um documento que alegrou a muitos. Não mencionada nos Documentos das quatro primeiras Conferências Gerais, a Pastoral Social é plenamente reconhecida e encorajada no Documento de Aparecida. A mudança é importante. No capítulo VIII, “Reino de Deus e Promoção da dignidade humana”, há uma parte inteira sobre a Pastoral Social: “Uma renovada Pastoral Social para uma promoção humana integral”.

A Conferência de Aparecida não define o que é ‘Pastoral Social’, mas a expressão ‘Serviço da Caridade’ é a que, no Documento mais corresponde a ela. Os bispos renovam com força seu compromisso com os pobres. Reconhecem que “todo o processo evangelizador envolve a promoção humana e a autêntica libertação”, e ainda que “para a Igreja, o Serviço da Caridade… é expressão irrenunciável da sua própria essência”.

A Conferência de Aparecida quer, portanto, estimular o evangelho da vida e da solidariedade nos Planos de Pastorais. “As Conferências Episcopais e as Igrejas Locais tem a missão de promover renovados esforços para fortalecer uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral”. A diretriz é clara e firme. Sinal da importância da tarefa, “na atividade a favor da vida, a Igreja se junta a outras comunidades cristãs”.

No parágrafo seguinte há uma longa lista de novos rostos dos pobres e excluídos que a globalização faz emergir. “A Igreja, com sua Pastoral Social, deve dar acolhida e acompanhar estas pessoas excluídas nas esferas a que correspondam”. Se no Documento apenas se fala de Pastoral Social, no singular, essas últimas palavras ‘nas esferas a que correspondam’ abrem uma compreensão plural da Pastoral Social na diversidade das Pastorais Sociais.

No parágrafo 403 o Documento de Aparecida abre interessantes e amplas perspectivas para a Pastoral Social. “Com criatividade pastoral, devem-se elaborar ações concretas que tenham incidência nos Estados para a aprovação de políticas sociais… e que conduzam para um desenvolvimento sustentável”. As “ações concretas” com criatividade pastoral podem ser bem diversas, sem descartar mobilizações e protestos nas ruas. A perspectiva de chegar ao desenvolvimento sustentável indica a variedade de objetivos e perspectivas de ação possíveis para a Pastoral Social.

O Documento indica também a necessidade de uma permanente ‘análise de conjuntura’: “Com a ajuda de diferentes instâncias e organizações a Igreja pode fazer uma permanente leitura cristã e uma aproximação pastoral à realidade de nosso continente”. Essa permanente leitura cristã pode levar a uma pastoral social para o conjunto da região.

Alguns, com razão, lamentam que o Documento não criticasse explicitamente o modelo neoliberal e não falasse da necessária transformação das estruturas. Podemos, no entanto, perceber, no mesmo parágrafo, elementos nesta direção: ”a partir da análise a Igreja terá elementos concretos para exigir(grifo nosso) daqueles que têm a responsabilidade de elaborar e aprovar as políticas que afetam nossos povos, que o façam a partir de uma perspectiva ética, solidária e autenticamente humanista”.

Nos cinco parágrafos que consideramos, o Documento de Aparecida abre criativa e corajosamente novas perspectivas para as Pastorais Sociais. Em muitos países, é a Cáritas que responde pelo Serviço da Caridade. No Brasil, já temos uma longa tradição de vinculação da Cáritas com as Pastorais Sociais. Na maioria das Dioceses, regiões e em âmbito nacional a colaboração estimula a criatividade de cada uma.

5.5 Um futuro em construção:

Seguindo as orientações do Documento de Aparecida, espera-se que as Pastorais Sociais sejam encorajadas e apoiadas em todas as Igrejas locais – também com recursos financeiros – para que o grito dos pobres e marginalizados seja ouvido e encontre nas comunidades uma resposta de justiça e solidariedade concretas. Voz profética numa sociedade sem horizonte, materializada, atomizada pelo individualismo, elas são hoje, na Igreja, um dos caminhos mais seguros de Evangelização. Quando interrogado pelo Prefeito de Roma sobre os tesouros da Igreja, o Diácono São Lourenço, então ecônomo da Igreja da mesma cidade, foi buscar os pobres, mendigos, doentes e órfãos, e os apresentou ao Prefeito, dizendo: “estes são o nosso tesouro”.

 Capítulo VI: Organização e Sustentabilidade:

6.1 O Agente de Pastoral;

6.2 A organização;

6.3 A sustentabilidade;

6.4 Critérios de Ação.

Capítulo VIIDesafios e Novas perspectivas:

Ser comunidades do Povo e da Igreja;

-Nas Comunidades Cristãs;

-No meio do povo;

-Crescer na articulação;

-Reforçar a Pastoral de Conjunto

-Crescer no Ecumenismo;

-Presença em todas as Igrejas locais;

-Melhorar a formação;

-Por uma ética do cuidado.

Este é um pequeno resumo, um aperitivo, do que é a Pastoral social no Brasil. Recomendo a leitura das duas cartilhas na íntegra, bem com buscar novas informações nos Sítios do Setor Pastoral Social da CNBB e da própria CNBB.

www.cnbb.org.br